Gabinete do ódio na Paraíba: Facebook deleta 73 perfis bolsonaristas e paraibano é citado entre os autores

Por Rafael Matias 09/07/2020 - 06:19 hs

O paraibano Tércio Arnaud Tomaz foi citado no relatório do Facebook, nesta quarta-feira (8), quando foi anunciada a remoção, pela plataforma, de 73 contas falsas ligadas a aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Tércio  ganhou espaços no staff bolsonarista a partir do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). Depois de atuar como assessor do filho do presidente, em 2017, atuou na campanha em 2018 e foi nomeado assessor do presidente, em 2019.

Pesquisadores americanos do Digital Forensic Research Lab (DRFLab) identificaram que ele é o responsável pela página Bolsonaro Opressor 2.0, com mais de 1 milhão de seguidores, e pela conta @bolsonaronewsss, no Instagram, com 492 mil seguidores e 11 mil posts.

As páginas, segundo o Facebook, publicavam “memes e conteúdo pró-Bolsonaro enquanto atacavam rivais políticos (…) O conteúdo era enganoso em muitos casos, empregando uma mistura de meias-verdades para chegar a conclusões falsas”.

Elas foram removidas, no entanto, não por causa do conteúdo, mas porque os responsáveis estavam se escondendo atrás de perfis falsos, de forma coordenada.

Além de Tércio, de 31 anos, compõem o grupo comandado por Carluxo os assessores José Matheus Sales Gomes, 26, e Mateus Matos Diniz, 25. Eles ficam no terceiro andar do Palácio do Planalto, numa sala a poucos metros do gabinete do presidente.

Além da página “Bolsonaro Opressor 2.0”, seguida por mais de 1 milhão de pessoas no Facebook, foi identificada a conta @bolsonaronewsss, também sob administração de Tércio, com 492 mil seguidores e mais de 11 mil publicações. De acordo com o estudo, muitas dessas postagens feitas por Tércio foram publicadas durante o horário comercial, ou seja, podem ter sido feitas durante o expediente dele no Planalto.

Opressor 2.0

Em março do ano passado, o perfil promoveu críticas pesadas à vereadora Marielle Franco um dia depois do seu assassinato, no bairro Estácio, no Rio. Em um post em que publicou uma matéria que anunciava a intenção da irmã de Marielle de se lançar na política, a legenda dizia: “Do jeito que tá indo, vão empalhar o cadáver e levar em comício”. A publicação foi posteriormente apagada.

Formado em biomedicina em uma faculdade de Campina Grande, Tercio trabalhava como recepcionista em um hotel antes de atuar nos gabinetes de Bolsonaro, em Brasília, e de Carlos, no Rio.